Marco Alfredo Mejìa OAB/RS 29.095 | Com mais de 25 anos de atuação no Tribunal do Jurí em todo Brasil.

sexta-feira, 23 de março de 2018

ADVOGADO CRITICA CORREGEDORIA POR INDICIAMEN

DEFENSOR DO MESTRE DE MAGIA PRESO EQUIVOCADAMENTE DIZ QUE
MOACIR FERMINO FOI POUPADO

O indiciamento do delegado Moacir Fermino por falsidade ideológica e corrupção de testemunhas pela Corregedoria da Polícia Civil (Cogepol), na sexta-feira passada, foi classificado como "brando" pelo advogado Marco Mejìa. Ele defende o mestre de magias Silvio Rodrigues, que chegou a ser preso por Fermino com base em depoimento falso de testemunhas, que apontaram o envolvimento dele na morte de duas crianças, encontradas esquartejadas em Novo Hamburgo. Apuração da Cogepol comprovou que a história era uma farsa.

Mejìa observa que, caso seja condenado apenas pelos crimes apontados no indiciamento, o delegado poderá cumprir a pena em regime semiaberto, com chance de conversão em prestação de serviços à comunidade - juntos, os delitos têm a pena que varia entre quatro e nove anos.

No entendimento do advogado, Fermino - que disse ter sido ajudado por "revelações divinas" ao longo da investigação - deveria responder por outros seis crimes (leia abaixo), os quais serão listado em notícia-crime a ser remetida por Mejìa ao Ministério Público (MP).

- A polícia agiu de forma leniente. A corregedoria foi branda demais para um agente público - considera o defensor de Rodrigues, que deve solicitar acesso ao inquérito ainda nesta semana.

COGEPOL REAFIMA "TRABALHO TÉCNICO"

O corregedor-geral da Polícia Civil, Marcos Meirelles, afirmou que a apuração do órgão foi fruto de "trabalho técnico e incansável" que será avaliado por MP e Judiciário. Ele ressaltou também que o resultado divulgado na sexta-feira diz respeito ao inquérito principal e que novas apurações poderão ser abertas caso necessário.


SEIS CRIMES

O delegado Moacir Firmino foi indiciado por falsidade ideológica e corrupção de testemunhas. 
A defesa do mestre de magias aponta outros delitos.
  • Tortura - Segundo o advogado Marco Mejìa, o mestre de magias ficou por mais de uma semana na carceragem da Central de Polícia, sem possibilidade de contatar sua defesa. Também não foi fornecida alimentação - que era entrega por familiares -, ou possibilidade de higiene ou banho de sol.
  • Discriminação religiosa - O delegado Fermino teria incorrido no crime ao afirmar que as crianças foram mortas em ritual de magia, conforme Mejìa, denegrindo religiões de matriz africana.
  • Falsificação de documentos - Segundo Mejìa, policiais que fizeram buscas no sítio de seu cliente abriram um cofre à procura de uma máscara e uma capa, que teriam sido usadas no suposto ritual, mas nada teria sido achado no guarda-volumes. No relatório policial, contudo, é dito que os objetos estariam ali, ainda segundo a defesa. Mejìa também considera que Fermino mentiu ao afirmar que as crianças foram mortas no Templo de Lúcifer, em Gravataí. Buscas foram feitas no terreno, mas apenas ossos de animal foi encontrado.
  • Falso testemunho - O crime teria ocorrido com a oferta de vantagens para que testemunhas mentissem. Na sexta-feira, a Cogepol informou que Fermino chegou a consultar uma testemunha para que modificasse o depoimento. Ela disse ter visto sacos pretos na casa de um dos investigados, mas os corpos foram localizados em plásticos azuis.
  • Denunciação caluniosa - Por se dizer em inquérito que sete pessoas participaram da morte das crianças.
  • Formação de quadrilha - Pela participação de Fermino, de um informante dele e de três testemunhas que mentiram à polícia.


Fonte: Zero Hora
Quarta-Feira,
21 de Março de 2018




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